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ChatGPT Ads no Brasil: Como Anunciar no ChatGPT Passo a Passo

Resposta direta: sim, já dá para anunciar no ChatGPT no Brasil. A OpenAI liberou a plataforma de anúncios por aqui e você consegue abrir a conta faturando em real, com CNPJ ou CPF. O processo é rápido (conta, razão social, setor, cartão) e a criação de campanha é bem mais simples que a do Google Ads. O que ainda ninguém sabe é como e onde exatamente os anúncios aparecem dentro das conversas, porque a plataforma acabou de abrir. Abaixo está o passo a passo completo, os cuidados de cobrança e as limitações que você precisa conhecer antes de colocar dinheiro ali.

O que Mudou: a OpenAI Entrou no Mercado de Anúncios

A dona do ChatGPT entrou oficialmente para competir com Google Ads, Meta Ads e as demais plataformas. Na prática, agora é possível pagar para aparecer dentro das conversas do ChatGPT, do mesmo jeito que se paga para aparecer nas buscas do Google.

Até pouco tempo atrás isso não rolava no Brasil: só quem tinha conta americana conseguia. Agora dá para abrir conta com faturamento em real, e é por isso que o assunto virou urgente. Para dimensionar o mercado: estimativas apontam algo em torno de 50 milhões de usuários ativos mensais do ChatGPT só no Brasil. Em um país de pouco mais de 200 milhões de pessoas, é aproximadamente um quarto da população em uma plataforma onde as pessoas pedem recomendação diretamente. Não é todo dia que nasce uma plataforma de anúncios nova.

Passo 1: Abrir a Conta

Você entra na plataforma de anúncios da OpenAI, clica em Start now e faz login com a sua conta do ChatGPT (a tela costuma aparecer em inglês). A própria plataforma avisa que a maioria das pessoas usa o gerenciador com um e-mail de trabalho ou comercial. Se você quiser trocar de conta nesse momento, dá para trocar.

Em seguida ele pede razão social, site e setor. O campo de setor merece atenção, porque alguns segmentos provavelmente vão ter restrições. As categorias são poucas: serviços profissionais, serviços locais, imóveis, saúde, educação e algumas outras.

Na tela seguinte já aparece Brasil, moeda em real e fuso horário. Aí vem o tipo de anunciante: empresa ou pessoa física. Recomendo empresa, para deixar tudo certo desde o começo.

Atenção para gestores e agências. Ele pergunta se a sua empresa é uma agência. Se você responder que sim, que atua em nome de outras organizações, a plataforma simplesmente não deixa criar a conta. Por enquanto não existe uma MCC como no Google Ads: o caminho é o cliente abrir a conta no nome dele e você pedir o acesso depois.

Passo 2: Faturamento (o Cuidado Mais Importante)

Depois de criar a conta, você cai em uma tela zerada e a plataforma pede para configurar o faturamento. Coloque o CNPJ se abriu no nome da empresa (ou o CPF, se for pessoa física) e use um cartão da própria empresa, para não dar problema depois.

E aqui está o aviso que mais assusta quem não foi avisado: a plataforma primeiro testa se o cartão funciona e, alguns minutos depois, faz uma cobrança automática no cartão cadastrado. Eu estava criando a primeira campanha quando vi a cobrança aparecer, sem esperar. Não é erro, faz parte do processo, mas é bom saber antes.

Outro detalhe prático: não existe Pix nem boleto, pelo menos até agora. Só cartão. E mesmo depois dessa primeira cobrança, o saldo pode demorar algumas horas para refletir no painel de faturamento.

Passo 3: Verificação, Logo e Chave de API

Assim como no Google Ads, a OpenAI faz a verificação do anunciante logo depois que você abre a conta. No meu caso foi rápido: endereço, CNPJ e confirmação dos dados da empresa. Nada de selfie ou vídeo. Recomendo fazer de uma vez para liberar a conta.

Em configurações gerais, vale subir o logo correto da sua empresa (a plataforma tenta puxar do seu site e às vezes puxa errado). Ali também dá para criar uma chave de API, o que é bem mais simples do que no Google Ads e no Meta. Só guarde essa chave com cuidado: ela está ligada a uma conta de anúncios com meio de pagamento cadastrado. Não recomendo colar a chave diretamente em uma conversa com o próprio ChatGPT ou com outra IA, porque isso deixa a credencial exposta no histórico.

Passo 4: Pixel e Conversões

No menu à esquerda, em ferramentas, você encontra conversões e uma tela de fonte de dados. É o equivalente ao pixel do Facebook ou à tag do Google Ads. Você cria a fonte de dados, instala no site (dá para fazer pelo Google Tag Manager) e depois cria os eventos de conversão, de forma bem parecida com o Google Ads. No meu caso criei um evento de lead de WhatsApp e já vinculei à primeira campanha.

Um aviso técnico importante: mesmo com a instalação correta, pode demorar para os primeiros eventos aparecerem no painel, inclusive depois de você já ter conversões. Não saia mexendo achando que instalou errado. Dê tempo à plataforma.

Passo 5: Criar a Primeira Campanha

A estrutura é praticamente uma cópia do Meta Ads: campanhas, grupos de anúncios e anúncios. E a criação tem poucas configurações, o que torna tudo rápido.

Na campanha: nome, tipo (padrão ou feed de produtos, que deve virar algo parecido com o Google Shopping dentro do ChatGPT) e objetivo, com três opções: alcance, cliques e conversões. Se você já tem um evento criado, dá para associar aqui.

Localização: vem configurado Brasil. E essa é a limitação que mais dói para negócio local: ainda não dá para segmentar por cidade. Dá para escolher estados. Se você incluir o Brasil inteiro, precisa de orçamento compatível com o Brasil inteiro. Por isso, para testar com verba baixa, faz mais sentido restringir ao seu estado.

No grupo de anúncios: a estratégia de lances. Por enquanto existem duas, maximizar resultados e CPC máximo manual. Preferi começar no manual, justamente porque ninguém sabe ainda como o automático se comporta. Se for parecido com o Google Ads, maximizar resultados gasta a verba até começar a encontrar conversão.

Um ponto que confunde muita gente: o valor que você coloca ali é o lance máximo por clique, não o mínimo. Na minha campanha, a plataforma marcava a entrega como forte a partir de R$ 14 por clique e avisava que valores abaixo disso "podem não entregar". Isso não quer dizer que você vá pagar R$ 14 sempre: quer dizer que você está disposto a pagar até esse valor. Dá para colocar menos e conviver com o aviso, do mesmo jeito que a gente convive com os alertas do Google.

As "Dicas de Contexto": o Mais Perto de Segmentação que Existe Hoje

Esse é o campo mais importante da campanha e ele aparece como opcional. A plataforma pede que você descreva as conversas, temas ou palavras-chave em que o seu produto ou serviço faz sentido. E avisa, com todas as letras, que essas dicas orientam a correspondência, mas não são regras de segmentação por correspondência exata.

Traduzindo: mesmo que você escreva "empresários que querem contratar um gestor de tráfego", você não vai aparecer só nessas conversas. Uma parte da verba vai para conversas relacionadas e outra parte pode ir para temas que você não previu. É bem diferente da palavra-chave em correspondência exata do Google Ads, e é o principal motivo para começar pequeno.

Minha recomendação prática: use duas a quatro dicas de contexto, no máximo. Quanto mais dicas, mais ampla fica a campanha e mais você tende a gastar sem controle.

O Anúncio: Um Título, Uma Descrição, Uma Imagem

Aqui o contraste com o Google Ads é grande. Você coloca o nome do anúncio, a URL de destino (que se repete no nível do grupo e no nível do anúncio), um título de até 50 caracteres, uma descrição de até 100 caracteres e uma imagem. Só isso. Ele tenta puxar uma imagem do seu site e você pode substituir por upload.

Depois de criar, é normal a campanha ficar sem entrega no começo: a própria plataforma avisa que a conta é nova e que pode levar de cinco a sete dias até tudo funcionar de verdade.

Vale a Pena para o Seu Negócio? A Resposta Honesta

Se você trabalha com marketing digital, é gestor ou tem agência: teste. Separe uma verba pequena de experimento e aprenda a plataforma antes da concorrência. É exatamente o que estou fazendo.

Se você tem outro tipo de negócio e uma verba de teste sobrando: também testaria, com dinheiro que você aceita perder em nome do aprendizado.

Se a sua empresa ainda não tem nenhuma estratégia de tráfego pago: não comece por aqui. A plataforma ainda está sendo validada, ninguém sabe como os anúncios aparecem e não existe histórico de custo por resultado. Esse mesmo dinheiro rende muito mais no Google, onde a demanda já existe, é mensurável e a plataforma está madura. Se for o seu caso, comece entendendo como anunciar no Google com pouco orçamento.

Dito isso, uma coisa é fato: por enquanto o ChatGPT Ads é oceano azul, com pouquíssimos anunciantes disputando. Quem chega cedo bebe água limpa. Só não confunda chegar cedo com apostar a verba inteira em uma plataforma que ainda não provou nada.

Perguntas Rápidas

Já dá para anunciar no ChatGPT no Brasil?
Sim. Dá para abrir conta faturando em real, com CNPJ ou CPF. O que ainda não está claro é exatamente como e onde os anúncios aparecem dentro das conversas.

Dá para segmentar por cidade?
Ainda não. A segmentação vai até o nível de estado. Para negócio local que atende um bairro ou uma cidade específica, essa é a maior limitação de hoje.

Vale a pena investir agora?
Se você já anuncia e tem verba de teste, sim, para aprender cedo. Se a sua empresa ainda não anuncia em lugar nenhum, não. Comece pelo Google, que é validado e mensurável, e volte ao ChatGPT Ads quando ele tiver histórico.

Assista à Aula Completa

Vídeo: ChatGPT Ads liberado no Brasil, passo a passo
Pedro Álvares

Escrito por Pedro Álvares, gestor de tráfego que já esteve à frente de mais de 100 negócios no Brasil, América Latina e na Espanha. Conheça o trabalho.

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